10 dezembro 2016

Saiba como a inflamação afecta o seu corpo

Por Carly Fraser

A Inflamação controla todos os aspectos da nossa vida. Se você ou alguém que conhece sofre de dores constantes, dor crónica, diabetes, doença cardíaca, acidente vascular cerebral, ADD / ADHD, neuropatia periférica, enxaqueca, cancro, problemas de tiróide ou problemas dentários, está constantemente a lidar com a inflamação. Aprender como a inflamação afecta o corpo, e o que pode fazer para a parar, é o primeiro passo para perceber todo o potencial do seu corpo.

Em vez de ir à raiz da causa, os médicos, quando estão perante os doentes que sofrem dos problemas acima mencionados, dão aos seus doentes medicamentos, para encobrir os problemas que continuam a manifestar-se e a piorar. Se lhes dissessem simplesmente que para melhorarem, têm que eliminar a inflamação do seu organismo, então, nunca mais teriam que tomar medicamentos.

A inflamação começa no nosso intestino, com uma reacção auto-imune que evolui para uma inflamação sistémica. Assim, podemos ver o quanto é importante que os alimentos que ingerimos sejam limpos, saudáveis e em grande medida vegetais, frutas e cereais, para reduzir o nível de acidez, que é normalmente causado pela ingestão de produtos de origem animal, açúcar refinado, alimentos processados, e trigo (glúten).

As doenças que resultam de uma acumulação de inflamações no corpo,  são as seguintes: alergias, doença de Alzheimer, anemia, asma, autismo, artrite, síndrome do túnel do carpo, doença celíaca, doença de Chron, insuficiência cardíaca congestiva, eczema, fibromialgia, fibrose, doença de vesícula biliar, ataque cardíaco, insuficiência renal, lúpus, esclerose múltipla, neuropatia, pancreatite, psoríase, escleroderma e acidente vascular cerebral.

Como a inflamação afecta os seus Órgãos e o seu Bem-Estar


Sistema Gastro-intestinal (Estomago e Intestinos)

O grau de permeabilidade do seu intestino depende de uma variedade de factores do seu estilo de vida. Se é relativamente stressado na maioria dos dias (cortisol elevado), ou se os níveis da hormona da tireóide flutuarem, o revestimento do seu intestino torna-se mais permeável, tornando-o mais vulnerável a toxinas, vírus, leveduras, bactérias e partículas de alimentos não digeridos de sua última refeição - também conhecidos como síndrome do intestino gotejante (LGS). Com LGS, estas toxinas, leveduras, bactérias e vírus, ao passarem através do intestino, têm melhor acesso à corrente sanguínea.
Ter um revestimento intestinal danificado, resulta numa assimilação pobre em nutrientes e enzimas, e, eventualmente, resulta numa variedade de doenças, que resultam em inflamação.
A inflamação crónica, danifica a mucosa intestinal e pode resultar em problemas como a doença celíaca e doença de Chron. Assim como, quando o esófago e o sistema digestivo começam a ficar inflamados devido a escolhas alimentares pobres, que mexem com o pH natural do nosso estômago, podemos ficar com azia ou doença do refluxo gastroesofágico (DRGE).

Cérebro

A inflamação provoca a libertação de citocinas pró-inflamatórias que resultam numa variedade de sintomas físicos e psicológicos. Na verdade, as citocinas pró-inflamatórias podem realmente causar falta de energia, dificuldade de concentração, sonolência e perda de apetite. Mais importante, a ligação entre a depressão e a inflamação tornou-se clara em vários estudos. Um estudo descobriu que os doentes que sofrem de depressão têm níveis significativamente mais elevados de citocina pró-inflamatória TNF-alfa do que os não sofrem de depressão.
As citocinas inflamatórias são também responsáveis por induzirem reacções auto-imunes contra a bainha de mielina e do tecido conjuntivo vascular, que irritam os nervos, e que em última análise pode resultar em neuropatia e em esclerose múltipla. A destruição de células cerebrais causadas por inflamação crónica também é  responsável pela doença de Alzheimer.
O autismo também tem uma base inflamatória, onde as citocinas inflamatórias induzem reacções auto-imunes no cérebro, parando o desenvolvimento do hemisfério direito.

Fígado

A acumulação de inflamações no corpo pode levar a um aumento do fígado (inchaço para além do seu tamanho normal), ou doença do fígado gorduroso, que em última análise pode resultar em insuficiência hepática. Pode também levar a uma condição auto-imune chamada hepatite que pode cicatrizar o fígado. O fígado é a principal maneira de livrar o organismo de toxinas (incluindo os rins e o trato intestinal). Sem um funcionamento correcto do fígado, as toxinas acumulam-se no organismo, e resultam em doença. Chá de raiz de dente-de-leão,  é óptimo para um fígado saudável.

Rins

As citocinas inflamatórias abrandam e restringem o fluxo de sangue para os rins e danificam os delicados néfrons e túbulos que compõem a maior parte dos nossos rins. Isto pode resultar em nefrite, e eventualmente em insuficiência renal. Altos níveis de inflamação reduzem a produção de urina e, assim, resultam em  retenção de resíduos. Como resultado, podemos sofrer de hipertensão leve e edema (retenção de líquidos), bem como retenção de resíduos tóxicos, os quais podem resultar numa série de outros problemas médicos.

Sistema cardiovascular (coração, sangue, veias, artérias)

Há alguns anos, foi feita uma descoberta que a inflamação na parede da artéria é a verdadeira causa da doença cardíaca. Sem inflamação, o colesterol move-se livremente por todo o corpo. Por outro lado, quando o organismo está sobrecarregado com uma inflamação, o colesterol acumula-se na parede dos vasos sanguíneos e provoca doenças cardíacas e derrames.
Alimentos carregados com açúcar refinado e carboidratos simples, alimentos processados com Ómega-6, óleos vegetais como soja, milho e girassol (praticamente todos os alimentos processados), ou produtos com gorduras saturadas de origem animal, como carne, ovos e laticínios são todos os que contribuem para a inflamação do corpo, que leva a artérias e veias obstruídas. O consumo de Ómega-6 deve estar em equilíbrio com o Ómega-3, sem esse equilíbrio, a membrana da célula produz substâncias químicas chamadas citocinas que provocam directamente a  inflamação.
Hoje em dia, a dieta Americana dominante produz um desequilíbrio extremo destas duas gorduras, tanto assim que o desequilíbrio varia de 15:1 para um valor altíssimo de 30:1 a favor do Ómega-6 (ao passo que a relação saudável ideal seria cerca de 3 :1).
Além disso, ter excesso de peso produz células de gordura sobrecarregadas, que expelem grandes quantidades de citocinas pró-inflamatórias, e  que se somam ao mal causado pelo nível elevado de açúcar no sangue. Eliminar alimentos inflamatórios e comer uma dieta à base de vegetais vai ajudá-lo a reverter anos de danos nas suas artérias e em todo o seu corpo.

Pulmões

Um corpo que manifesta um elevado estado de inflamação pode afectar gravemente o funcionamento dos pulmões.
Na asma, por exemplo, as citoquinas inflamatórias induzem reacções auto-imunes contra o revestimento das vias aéreas. Também é o caso de diferentes tipos de alergia que afectam os pulmões, especificamente Febre do Feno e outras alergias relacionadas com plantas e animais.
A acumulação de muco em excesso nos pulmões é o resultado de uma dieta pobre, que resulta numa resposta inflamatória, que também é a causa da bronquite e da fibrose cística.

Tiróide

A Inflamação tem um efeito profundo sobre todos os aspectos do metabolismo e da fisiologia da tiróide. A auto-imunidade, resultante em inflamação, pode reduzir a taxa de conversão de T4 para T3, reduzir a função do receptor e também interromper o eixo hipotálamo-hipófise-tiróide.
Estudos têm demonstrado que mesmo uma única injecção da citocina inflamatória TNF-alfa reduz os níveis sanguíneos de TSH, T3, T4 livre, T3 livre e TRH durante 5 dias, demonstrando como a inflamação interrompe a produção e os mecanismos reguladores das hormonas da tiróide.
Além disso, o número e a sensibilidade dos receptores da hormona da tiróide são reduzidos quando existe um elevado nível de inflamação no corpo. Não importa quanto toma de medicamentos para a tiróide - as células simplesmente não serão capazes de a usar!
Por fim, a inflamação reduz a conversão de T4 em T3 (T4 é a forma inactiva da hormona da tiróide e o corpo precisa de a converter na forma T3 activa antes de a poder usar).
Se sofre de hipo ou hipertireoidismo, pode querer repensar a sua medicação, e em vez disso pode alterar as suas escolhas de dieta e de estilo de vida.

Ossos

A inflamação interfere na capacidade natural do organismo de reparar a massa óssea, resultando num maior número de fracturas, rupturas e condições como a osteoporose e a artrite reumatóide (inflamação sinovial crónica é muitas vezes acompanhada de erosão óssea, uma das principais razões para a incapacidade em doentes com AR) .
Na verdade, um dos métodos mais negligenciados de prevenir a osteoporose é a redução da inflamação crónica. Nutra o seu sistema gastrointestinal para melhorar a absorção dos nutrientes da sua alimentação, assim como concentrar-se numa dieta alcalina, anti-inflamatória, sem glúten, carne e lacticínios, são óptimas maneiras de começar a melhorar a qualidade e a função dos ossos.

Músculos

A inflamação crónica pode causar dor muscular e fraqueza. Também pode manifestar-se como síndrome do túnel carpico, quando a tensão muscular excessiva provoca tendões encurtados no antebraço e pulso, comprimindo os nervos e criando dor e rigidez. É importante lembrar que o nosso coração também é um músculo, e a inflamação crónica pode contribuir para perder músculo cardíaco, resultando em insuficiência cardíaca congestiva.
As reacções auto-imunes contra músculos e tecido conjuntivo induzidas por citocinas inflamatórias são também responsáveis pela polimialgia reumática, uma condição caracterizada por dores generalizadas e rigidez em idosos.

Pele

O inimigo número um da nossa pele é a inflamação sistémica ou crónica. Este é geralmente um resultado da inflamação crónica do intestino e do fígado, os nossos principais órgãos desintoxicantes, que quando são comprometidos, resulta na expulsão de substâncias tóxicas através da pele (como é que o organismo vai livrar-se das toxinas?). Uma desintoxicação pobre como resultado da inflamação pode manifestar-se como eczema, acne, erupções cutâneas inexplicáveis, psoríase, rugas, linhas finas e uma variedade de outros tipos de dermatite.
Se quer ter uma pele bonita, deve ter uma dieta rica em alimentos à base de vegetais e desprovida de produtos animais, alimentos processados gordurosos e doces com açúcar refinado, como donuts, muffins, rebuçados e bolos. Lembre-se que a sua pele é um reflexo directo de quão bem o seu intestino e fígado estão a  funcionar. Desintoxique esses órgãos, elimine a inflamação, e a sua pele estará limpa!

Como deixar de ter inflamação no seu organismo


Se realmente deseja curar-se de qualquer problema de saúde que está a enfrentar, deve considerar o papel da inflamação nesse seu problema, e lidar com a causa raiz. A inflamação é o resultado de uma reacção auto-imune no intestino, que se espalha para outras áreas do seu organismo.

Remova os “gatilhos” auto-imunes da sua vida, tais como:

Alimentação: (Produtos à base de animais (carne, ovos, lácteos), açucar refinado, alimentos altamente processados, trigo)

Estilo de vida: (Stress, falta de sono, exercícios físicos excessivos ou insuficientes – são todos factores a serem considerados. A resposta do stress desencadeia o marcador imunológico IL6, que liga o caminho imunológico TH17, acelerando a auto-imunidade do organismo).

Substitua estes por modos de vida benéficos, tais como:

Alimentação: Alimentos à base de vegetais, como todas as frutas e legumes, frutos secos e sementes, suplementação mineral para compensar a falta de minerais dos solos onde estes alimentos crescem).

Estilo de vida: (Crie condições de amor, apreciação e gratidão, exercite-se adequadamente, mantenha uma atitude positiva, durma o suficiente e mantenha iterações sociais saudáveis, isto ajudará a libertar opióides sistémicos naturais que ajudam a fazer o caminho imunológico TH3, ajudando a reduzir a auto-imunidade).